|
| |
As
Mil Milhas Brasileiras em Interlagos desde 1956
- Competição e Tradição
na Pista
por Rafael
Bozzolla
Disputada desde 1956, a "Mil Milhas Brasileiras" é
uma de nossas mais importantes corridas. Ela
não foi a primeira corrida de automóveis a ser disputada no país, tampouco a
de maior projeção internacional, mas se o critério de importância for
definido pela tradição, a Mil Milhas Brasileiras não têm concorrente.
| Com largada à noite e chegada durante o
dia, em suas quase 12 horas (em média) de duração, ela põe à prova pilotos,
que se revezam ao volante, e automóveis, que são submetidos a um severo teste
de durabilidade... |
Largada
noturna em estilo Le Mans - detalhe dos Binos Mk-I e da
carretera
do Camilo Christófaro na frente
|
As competições automobilísticas já aconteciam no Brasil
desde 1908 quando, em um circuito de rua, Sylvio Alvares Penteado venceu com um
Fiat de 40 cv a primeira prova realizada em São Paulo. Outro marco
significativo, foi o Circuito da Gávea, no Rio de Janeiro, o famoso Trampolim
do Diabo , que reinou de 1933 a 1954. Em São Paulo o circuito de Interlagos já
funcionava desde 1940, mas ganhou projeção nacional com a prim8eira Mil Milhas
Brasileiras .
|
Calendário Mahle
Metal-Leve
|
 |
| |
Eloy Gogliano, fundador do Centauro Motor Clube, e Wilson
Fittipaldi (pai de Emerson e Wilson), então diretor de esportes da Rádio
Panamericana, de SP, foram os idealizadores da corrida, inspirada na famosa
Mille Miglia italiana. Para dar clima à corrida, Wilson foi ao sul do País e
convidou os pilotos gaúchos, eternos desafetos dos paulistas, a correr em
Interlagos com suas carreteras. A largada foi à meia noite do dia 24 de
novembro de 1956. As 201 voltas no antigo traçado de Interlagos, totalizavam
exatamente mil milhas (1.609 quilômetros) e os vencedores, os gaúchos Catarino
Andreatta e Breno Fornari, com uma carretera Ford 1940, completaram a prova em
16h12m.
Em segundo chegou um Fusca 1952, com motor Porsche 1.500 de
74 cv de potência, pilotado pelos paulistas Christian Heins e Eugênio Martins.

Christian
Heins largando em Interlagos, sobreesterçando e chegando em 2o. lugar com seu
Fusca-Porsche - 1952
Nos primeiros anos da prova, alguns pilotos se aproveitavam
da pouca visibilidade que os fiscais tinham a partir dos boxes, à noite, e
usavam um atalho que os levava diretamente da Curva1 para a Curva do Sol,
comendo quase meia volta do antigo traçado.
A competição sofreu algumas interrupções. A maior delas
ocorreu entre 1973 e 1981. Em 1992, depois de uma ausência de 25 anos, voltaram
os carros importados. Uma BMW M3, pilotada pelo brasileiro Klaus Heitkotter e
pelos alemães Jurgen Weiss e Mark Gindorf, venceu. Nos anos de 1995 e 1996, a
prova ficou estrangulada no calendário, após o GP Brasil de F1.
Em 1998 o ex-piloto Toninho de Souza assumiu a organização
da prova e conseguiu colocar o evento como parte do calendário oficial das
comemorações do aniversário de São Paulo e até do calendário internacional
da FIA. A data, agora, não muda mais.
Camillo Christófaro "O Lobo do
Canindé"
por:
Eduardo Pandini
Valente,
espirituoso, campeão: Camillo Christófaro foi um dos maiores pilotos que o
Brasil teve nos anos 50 e 60
Para um
garoto que acompanha automobilismo hoje, pode ser difícil imaginar um dos
maiores pilotos brasileiros morando no Canindé (bairro da Zona Norte de São
Paulo) e sendo facilmente encontrado sujo de graxa em uma oficina mecânica. Há
30 anos era assim. Camillo Christófaro, o "Lobo do Canindé", nunca correu na F1
e, por pura falta de dinheiro, sequer tentou correr no exterior.

Mas ele faz
parte de algumas das mais memoráveis histórias do automobilismo brasileiro.
Ídolo de uma geração (e também de todo um bairro, já que os moradores do Canindé
compareciam em peso em Interlagos para torcer pelo vizinho), Camillo aliava a
valentia dos pilotos de sua época a tiradas espirituosas, que ficavam ainda mais
engraçadas com seu jeito despachado e 'italianado' de falar.
Camillo morreu
no dia 20 de agosto, aos 67 anos. Sua última corrida foi a Mil Milhas
Brasileiras de 1989, também a última disputada no traçado original do circuito
que ele conhecia tão bem. Terminou em 3º lugar, correndo de Opala em parceria
com o filho Camilinho e Américo Bertini.
Foi exatamente
numa Mil Milhas, em 1966, que Camillo conseguiu a maior de suas inúmeras
vitórias. Correndo com a famosa carreteira Chevrolet Corvette, em dupla com
Eduardo Celidônio, ele ultrapassou os jovens Emerson Fittipaldi e Jan Balder na
última volta. No pódio, o garoto Emerson, então com 20 anos incompletos, chorava
e recebia o consolo de Camillo, que há anos tentava vencer esta prova: "Não
fique assim. Você é novo, ainda vai ganhar muitas corridas".
.jpeg)
Camilo
Christófaro nos 500 Km da Guanabara em 1967
.jpeg)
Nos boxes do
Autódromo de Jacarepaguá para os 500 Km. da Guanabara - 1967
A carreira de
Camillo começara em 1953, com o incentivo de seu tio - ninguém menos que Chico
Landi. Na época, as corridas brasileiras mais importantes eram as de Mecânica
Continental, nas quais corriam carros de Fórmula 1 (Ferrari e Maserati,
principalmente) equipados com motores Corvette, Studebaker ou Ford com mais de
400 cavalos de potência - uma loucura, já que os motores de F1 de então tinham
300 cavalos. Com seu Maserati-Corvette, Camillo foi campeão da Mecânica
Continental em 1955, 1956, 1957, 1958, 1960, 1961 e 1962. Só não foi campeão em
1959 porque um acidente o afastou de algumas provas.

Camillo em
Interlagos: Com a famosa carretera 18 e no Opala com a qual correu pela última
vez, na Mil Milhas de 1989

Algumas
histórias dão a medida exata do caráter de Camillo. Segundo colocado nas 12
Horas de Interlagos em 1967, ele protestou a vitória de José Carlos Pace/Anisio
Campos, mas acabou se arrependendo e quis retirar a reclamação. Como os
dirigentes se recusavam a fazê-lo, Camillo esperou pelo julgamento, que
aconteceu dias depois. Na frente de todos, pediu que lhe dessem o papel através
do qual havia formalizado o protesto - e, para surpresa geral, rasgou-o
imediatamente: "Pronto, agora não tem mais confusão".
Outra história
mostra a esperteza do "Lobo do Canindé": Profundo conhecedor do autódromo de
Interlagos, ele era um rei nas corridas noturnas - quando muitas vezes o desafio
não era a escuridão, mas a neblina fortíssima que cobria o autódromo. Alguns
pilotos sabiam disso e procuravam segui-lo, orientando-se pela luz de freio da
carreteira número 18. Camillo percebeu o truque e deu o troco na corrida
seguinte: ao se ver perseguido por um grupo de pilotos, acendeu no meio do retão
uma luz de freio falsa, que fez todo o grupo que vinha atrás "contornar" a Curva
3 muito antes da hora.

A
Maserati-Corvette que consagrou Camillo: um carro tão difícil de pilotar que até
Chico Landi (à esquerda) precisou de dicas.

Dinheiro era
algo com que Camillo não se importava. Nos anos 60, quando as equipes oficiais
de fábrica eram uma verdadeira coqueluche no automobilismo, ele era um dos
poucos pilotos de ponta que desprezavam essas escuderias: "Só entro em fábrica
se for como sócio". Esse desprendimento ia às últimas conseqüências: "Às vezes
faltava comida em casa, mas nunca faltou peça para o carro", conta
Camillinho,
que acabou inspirando o nome da "Escuderia Lobo" e, consequentemente, do próprio
apelido "Lobo do Canindé", pelo qual Camillo era conhecido.
- Quando eu
tinha uns quatro anos, fui mostrar ao pintor da oficina uma revista em
quadrinhos que tinha o personagem Lobinho, filho do Lobo Mau. Pedi para ele
pintar o Lobinho na carroceria do carro e meu pai deixou o desenho lá. Virou
"Escuderia Lobo", conta.

O piloto
Caetano Damiani, um grande rival de Camillo, usava um motor Corvette muito
possante, novinho em folha vindo da Califórnia e que deu-lhe muito trabalho...
Quase 20 anos
depois, em 1975, Camillo realizou um velho sonho: correr em dupla com o filho.
Era a 6 Horas de Interlagos, e os dois correriam com o Maverick da Escuderia
Lobo. Tinha tudo para ser uma grande festa, mas acabou em uma amarga decepção:
eles lideravam quando, faltando menos de uma hora para o final, o velho Camillo
bateu na Curva do Sol. "Eu sou um ‘salame’, corro há mais de 20 anos e fiz uma
besteira dessas", disse ao sair do carro. Mais tarde, confessou: "Eu estava
muito emocionado e correr com o meu filho e acabei errando".
Um dos últimos
contatos de Camillo com Interlagos foi no começo de 1994, quando uma revista
especializada em automobilismo levou um grupo de antigos pilotos para testarem
carros de rua. Camillo, Fritz D’Orey e Eugênio Martins (outras duas feras dos
anos 50) pegaram um carro cada e fizeram um belo pega, até que a direção do
autódromo os obrigou a parar.
- "Vocês não
poderiam sair, não havia ambulância a postos", advertiu alguém, sem saber que
aqueles respeitáveis senhores ganhavam corridas num tempo em que Interlagos era
muito mais perigoso que hoje. Camillo não se conteve e disparou: "Meu amigo, se
algum de nós saísse da pista seria porque teve um ataque cardíaco e morreu
dentro do carro".
Publicado originalmente no site Speed Fever, do Renato Castro Barranco - http://www.speed-fever.com.br
A "vitória
moral" da DKW nas Mil Milhas de 1966
VIII Mil Milhas
Brasileiras, realizada entre os dias 19 e 20 de novembro de 1966. Sem
dúvida alguma, a corrida mais dramática para os carros da Vemag. Sem o
patrocínio da fábrica, que não participava mais de competições, seis
pilotos levaram os três Malzoni oficiais do departamento de competições
aos 2º, 3º e 4º lugares na prova, sendo que um deles, o menos potente,
quase venceu a corrida, considerada a mais importante e tradicional do
calendário brasileiro de automobilismo. A Vemag cedeu carros, material e
apoio logístico para a equipe Lumimari. Os pilotos, no entanto, tiveram
de arcar com as despesas de combustíveis, pneus, alimentação, etc. A
equipe, ora intitulada Equipe Brasil, inscreveu cinco carros para a
corrida: dois Malzoni 1100cc (o nº 10 para a dupla Marinho/Scuracchio e
o nº 4 para os pilotos Casari /Erimá), um Malzoni 1000 cc (nº 7, para os
pilotos Emerson Fittipaldi/Jan Balder) e duas carreteras (a DKW nº 13
encurtada, denominada Mickey Mouse, para os pilotos Volante 13/Walter
Hahn Jr. e a DKW nº 11, de teto baixo, para a dupla Roberto dal Pont/Pedro
Vitor Delamare). A Willys fez-se representar pelos dois Alpine 1300cc (o
nº 47 pilotado pelo Luiz Pereira Bueno/Luiz Fernando Terra Smith e o 46
por Bird Clemente/Carol Figueiredo) e pela carretera Renault Gordini com
motor R-8 de 1100cc (guiada pela dupla Marivaldo Fernandes/Helio Mazza).
A Dacon inscreveu quatro Karmann Ghia Porsche: dois com motores 2000 cc
e dois com 1600 cc. Os dois primeiros foram entregues aos pilotos Wilson
Fittipaldi Jr/Ludovino Perez Jr. (nº 77) e José Carlos Pace/Antonio
Porto Filho (nº 2). A Simca, que também havia fechado o seu departamento
de competições, vendeu a carretera equipada com motor Tufão para a dupla
Jayme Silva/José "Toco" Martins, que assim pôde participar da prova.
Além desses, registra-se a participação da equipe Jolly Gancia e das
tradicionais carreteras com motores V8, sendo a mais famosa a nº 18, da
dupla Camilo Christófaro/Eduardo Celidonio.
Os cinco
melhores tempos classificatórios foram: 1) W. Fittipaldi Jr. (Karmann
Ghia Porsche #77), 3min38s2; 2) Luiz Pereira Bueno (Alpine #47),
3min47s8; 3) Camilo Christófaro (Chevrolet Corvette #18), 3min55s6; 4)
Marinho (Malzoni DKW #10), 3min56s3; 5) Bird Clemente (Alpine #46),
3min56s8.
Às 22h30
do dia 19 foi dada a largada, ao estilo Le Mans: carros de um lado
pilotos do outro. Todos os carros da Vemag tiveram problemas na largada.
É que o Castrol R-40, até então utilizado normalmente em corridas, nessa
época decantava em poucos minutos, possivelmente devido a uma alteração
de sua formulação, o que obrigava os membros da equipe a ficarem
chacoalhando os carros até o momento da largada. Isso não ocorria
anteriormente... Enfim, completada a primeira volta surge o Alpine 47
com o Luiz Pereira Bueno em 1º , em 2º a carretera 18 com o Camilo
Christófaro, em 3º o KG Porsche 77 conduzido pelo Wilson Fittipaldi Jr,
em 4º o Alpine 46 pilotado pelo Bird Clemente e em 5º outro KG Porsche
2000 de José Carlos Pace. O único carro da Equipe Brasil a completar a
primeira volta, ainda assim com um atraso de meia volta em relação aos
líderes, foi o Malzoni 7, pilotado nesse início de corrida pelo Jan
Balder. O "train" de corrida era fortíssimo, com os líderes virando na
base de 3min54s. A corrida foi se desenvolvendo com algumas alterações e
na 20ª volta os dois KG Porsche lideravam a corrida, seguidos dos dois
Alpines. O "train" de corrida caiu dos 3min54s iniciais para 3min56s,
mas ainda muito forte para uma corrida de longa duração. Com apenas 19
voltas, vinham em seguida Camilo, perseguido de outros - na 10ª posição
já aparecia o Malzoni 7, pilotado na ocasião por Emerson Fittipaldi. Na
45ª volta, com menos de quatro horas de corrida, a média da prova ia
subindo, chegando a 115,714 km/h. Luiz Pereira Bueno, com o Alpine 47,
aparece então liderando a corrida, seguido do Malzoni 7 de
Balder/Emerson Fittipaldi já na segunda posição, com duas voltas a
menos. Os KG Porsche 12 e 77 enfrentavam problemas, pois tiveram os
pára-brisas quebrados, obrigando os carros a efetuarem várias paradas no
box. O KG Porsche 2 pilotado pelo Môco ficou sem gasolina na curva do
Sargento, perdendo oito minutos e caindo para o quinto lugar. Com 60
voltas o Alpine 47 continuava na liderança. Com duas voltas a menos, a
carretera 18, que recuperara a segunda
posição, o KG Porsche 2
em terceiro, o Malzoni 7 em quarto e a Alfa 23 em quinto.
Com 56
voltas, em sexto lugar, surgia o Malzoni 4 de Casari/Erimá, seguido do
Malzoni 10 de Marinho/Scuracchio. A média do líder era de 115,446 km/h.
O Alpine 47 continuava noite adentro na ponta e com 80 voltas andava num
ritmo mais tranqüilo, numa média de 113,630 km/h. Com apenas uma volta a
menos, fazendo uma linda corrida, vinha o Malzoni 7 seguido do KG
Porsche 3 (ambos com 79 voltas). Em 4º lugar, com 76 voltas e melhorando
rapidamente, vinha o Malzoni 10 seguido pelo de nº 4 com 75 voltas. A
carretera 18, com 75 voltas, aparecia em sétimo, depois de perder
bastante tempo parada na pista por falta de gasolina. Às 4h25, Luizinho
pára no box com a manga de eixo quebrada e o Malzoni 7 assume a
liderança da prova, já que o conserto do Alpine durou 30 minutos.
Entretanto, na volta seguinte é a vez do novo líder parar no box para
reabastecer e prender a bateria que se soltara. Foi aí, ao se
completarem 100 voltas - metade da prova -, que Môco, em rápida
recuperação, assumiu a ponta, com a média de 112,517 km/h. Às 5h50, os
três Malzoni apresentavam uma posição privilegiada na manhã que surgia.
O 7 era o segundo com 99 voltas, o 10 era o terceiro com 97 voltas e o 4
era o quarto também com 97 voltas. O Alpine 47, devido à quebra, vinha
em quinto, seguido do KG 77, da Alfa 23, do Simca 26, da carretera 18 e
do Renault 45.
Às 6h do
domingo o KG Porsche 2 líder enfrenta problemas com o câmbio (as 2ª e 4ª
marchas que não engatavam), e com isso o Malzoni 7 ia lentamente
encostando. Com 120 voltas, o Malzoni 7 assume a liderança com a
média horária de 110,971 km/h. O KG Porsche 2, que vinha correndo apenas
com as 1ª e 3ª marchas, passa em segundo lugar. Em terceiro, com 119
voltas, vinha o Malzoni 10, e em quarto o nº 4 com 118. Em quinto lugar,
embora parado no box, o Alpine 47, que tivera pela segunda vez a manga
de eixo quebrada. Quando a prova chegou nas 140 voltas, o KG Porsche 2,
mesmo correndo apenas com as 1ª e 3ª marchas, reassume a primeira
colocação com a média horária subindo para 111,236 km/h. Com o mesmo
número de voltas, mantendo seu carro num ritmo seguro, o Malzoni 7. Duas
voltas atrás os Malzonis 10 e 4. Camilo com a carretera 18 melhora sua
posição de sexto para quinto, com 137 voltas. O Alpine 47 quebra a
terceira manga de eixo! Com 150 voltas, as principais posições
continuavam inalteradas, com exceção do Malzoni 4, que troca de posição
com o 10. A carretera 18 permanece em quinto lugar com 146 voltas. As
posições eram as mesmas na volta 170: o KG Porsche 2 liderava, o Malzoni
7, magnificamente bem tocado, era segundo. Novamente invertem-se as
posições dos dois outros Malzonis da Equipe Brasil: faltando apenas 31
voltas para o final, Marinho aumenta o "train" de corrida e retoma o
terceiro lugar, seguido do Malzoni 4 de Casari/Erimá. Ao se completarem
180 voltas, o KG Porsche 2 que vinha liderando a corrida pára na curva
da Ferradura com um terminal de direção quebrado.
Às 11h45,
o Malzoni 7 com Jan Balder ao volante passa para a ponta, seguido dos
Malzonis 10 e 4 com uma volta a menos. Os três Malzonis da Equipe Brasil
ocupavam as três primeiras posições! A carretera 18, com Celidonio
pilotando e agora em quarto lugar, recebeu sinal para "baixar a botina",
pois estava na mesma volta que o segundo e terceiro colocados. Cálculos
começaram a ser feitos. Os Malzonis não precisariam parar para
reabastecer. A carretera 18, ninguém sabia. Jan Balder recebe ordens de
aumentar o ritmo e aumenta gradativamente das 6.000 rpm que vinha
mantendo para 6.500 rpm, e na volta seguinte um pouco mais, até encostar
no limite das 7.000 rpm. Balder, que vinha rodando em torno dos 4min30s,
passou a virar em 4min10s. Celidonio, por sua vez, melhorava para
3min50s. A tensão era imensa. Pelos cálculos do seu box, mantendo esse
ritmo Balder poderia ganhar a corrida com alguma diferença sobre a
carretera 18, que acabaria em segundo, mesmo descontando 20 segundos por
volta.
Ao
completar a 195ª volta, faltando apenas seis para o final, o Malzoni 7,
que durante tantas horas rodara redondinho, passou pela reta do box com
apenas dois cilindros funcionando! Desesperaram-se os integrantes da
equipe Malzoni... Celidonio, que vinha voando baixo, avisado, foi
encostando cada vez mais em Balder, que via assim a maior chance de sua
vida fugir-lhe das mãos. Ao completar 197 voltas (faltando quatro para o
final), Balder pára no box. Segundo Balder, o Crispim trocou as três
velas do motor com o carro funcionando, levando choque de tudo que era
jeito, pois havia a possibilidade de haver um pistão furado e aí, se o
motor fosse desligado, a água do circuito de refrigeração encharcaria os
cilindros e o motor não pegaria mais. O carro partiu com o motor limpo,
em três cilindros, mas não andou cem metros e novamente passou a
funcionar com apenas dois cilindros... A carretera 18 era a nova líder
da prova. Entretanto, nem bem o Malzoni 7 retornava à pista, ainda em
dois cilindros, e o Camilo Christófaro sinaliza para a carretera com um
funil na mão. Novamente o desespero da equipe dos Malzoni é substituído
pela esperança, pois a carretera teria de parar para reabastecer. A
emoção era geral e muitos lembraram que o Camilo perdera uma outra prova
praticamente ganha, quando no fim teve que parar e não conseguira partir
novamente.
Na 199ª
volta Celidonio encostou no box para reabastecer. Após talvez os 20
segundos mais compridos da dupla Camilo/Celidonio, a carretera estava
pronta. Foi feita a primeira tentativa para a partida do motor e nada!
Balder, rateando vinha chegando mais perto. Celidonio tenta novamente e
enfim o motor pega! O carro retorna à pista e as esperanças da Equipe
Brasil se desvaneceram. Na última curva da prova o Malzoni 7 é
ultrapassado, inclusive pelo companheiro de equipe Marinho, no Malzoni
10. Finalmente a bandeirada de chegada é descida com Celidonio ao
volante. A carretera 18 entrava para a história das Mil Milhas e
Celidonio, ao encostar nos boxes, é levado nos ombros pelos companheiros
de equipe e demais pilotos.
Resultado final: 1)
Camilo Christófaro e Eduardo Celidonio, carretera Chevrolet Corvette
#18, 201 voltas em 14h30min30 s; 2) Mario César de Camargo Filho e
Eduardo Scuracchio, Malzoni DKW #10, 201 voltas; 3) Jan Balder e Emerson
Fittipaldi, Malzoni DKW #7, 201 voltas; 4) Norman Casari e Carlos Erimá,
Malzoni DKW #4, 200 voltas; 5) José Carlos Pace e Antonio Porto Filho,
Karmann Ghia Porsche #2, 200 voltas; 6) Jaime Silva e José "Toco"
Martins, carretera Simca #26, 195 voltas; 7) Luiz Pereira Bueno e Luiz
Fernando Terra Smith, Alpine #47, 195 voltas; 8) Wilson Fittipaldi Jr e
Ludovino Perez Jr., Karmann Ghia Porsche #77, 192 voltas.
Segundo
Jan Balder, no dia seguinte persistia a natural curiosidade de saber o
que realmente havia ocorrido naquele cilindro. Junto com Emerson, foi
até a Comercial MM, onde o carro se encontrava, tal qual havia terminado
a corrida. O Crispim então ligou o condensador reserva (instalado junto
ao suporte de bobinas, numa operação que não durou mais que 30
segundos), de um dos cilindros e o motor funcionou limpo, com todos os
três cilindros. Deram uma volta pelas ruas da redondeza e o motor
redondo! Pode ser que a dupla até pudesse ter vencido a corrida. Mas
pode ser também que a carretera 18 não precisasse de fato ser
reabastecida a duas voltas do final. De qualquer forma, foi o maior
feito dos carros DKW na história das corridas nacionais. Em primeiro
lugar, quebraram o tabu de que o carro não agüentava corridas longas -
os três Malzoni correram por mais de 14 horas seguidas sem nenhuma pane
ou defeito significativo. Há de se reconhecer que nesse aspecto a Equipe
Brasil colheu os resultados de anos de pesquisas e experiências
desenvolvidas pela fábrica, mais especificamente pelo departamento de
competições chefiado por Jorge Lettry. É ainda importante se reconhecer
a contribuição do departamento de testes da Vemag comandado pelo Otto
Kuttner nesse processo, lembrando que a participação da equipe nessa
corrida se deu devido ao apoio do pessoal dessa área, uma vez que o
departamento de competições estava desativado. Finalmente, há de se
registrar que dois "meninos", de aproximadamente 20 anos de idade,
souberam dosar um carro de competição extremamente complexo de se
pilotar, de pouca resistência em provas de longa duração, menos potente
que os carros similares da equipe e de outros tantos participantes, por
mais de 14 horas de corrida. Lideraram a mais tradicional prova do
automobilismo brasileiro por muitas horas e quase a ganharam. Toda a
honra e reconhecimento, portanto, aos pilotos Jan Balder e Emerson
Fittipaldi.
Por:
Carlos Eduardo Zavataro
©Copyright
2001 DKW-VEMAG CLUBE DO BRASIL - Web Design:
Paulo Renato Arantes
|
Mil Milhas Brasil - 1956
A Década de 1950
ficou marcada pelo desenvolvimento da indústria brasileira de
automóveis e autopeças. Apoiadas pelo governo Getúlio Vargas e,
posteriormente, por Juscelino Kubitsckek, as indústrias consolidaram
a produção no país.

Percebendo as
mudanças e com uma estratégias de marketing bastante inovadora,
Wilson Fittipaldi e Eloy Gogliano, homens profundamente ligados a
promoção do automobilismo, viram uma possibilidade de revolucionar
as competições em Interlagos que havia sido inaugurado em 1940.
Era o momento certo,
a indústria nacional de autopeças crescia e nada melhor do que
utilizar uma competição automobilística de longa duração como
laboratório.
Nessa perspectiva, em
1956, com mediação do Centauro Motor Club, Wilson Fittipaldi & Eloy
Gongliano criaram a prova “Mil Milhas Brasileiras de Interlagos”.
Amparados pelo sucesso de outra competições como as 24 horas de
1951, dedicadas a motos e carros, e com apoio da Rádio Panamericana
– Wilson Fittipaldi e Eloy Gogliano conquistaram a aprovação dos
fabricantes e a figura simpática desses dois empreendedores passaram
a mobilizar os meios industriais e automobilísticos.
Fittipaldi viajou à
diversos estados e motivou o maior número de pilotos para a
competição em Interlagos, encontrando grande aceitação.

Enquanto isso, Eloy
Gogliano cuidava de todos os detalhes administrativos e organização
do regulamento junto ao Automóvel Club do Brasil.
Eram aceitas
inscrições para veículos na categoria “Turismo Fechado” com dois ou
mais lugares e preparação livre. O Chassi e o motor deveriam ser da
mesma marca, podendo ser utilizados diferentes modelos e/ou anos de
fabricação. Os pilotos eram obrigados a fazerem exames médicos,
usarem capacetes e realizarem alguns treinos noturnos.
O sucesso da
competição ficou garantido com o apoio da TV Record e do Sindicato
Nacional dos Fabricantes de Autopeças. Que junto ao seus afiliados,
apostaram alto no evento, bancando todas as despesas e a premiação,
num investimento inédito.

Fittipaldi e
Gongliano acertaram em cheio, a resposta do público, depois de tanto
esforço, foi compensadora e garantiu um retorno fantástico. A Mil
Milhas Brasileiras tornou-se o maior evento do automobilismo
brasileiro.
Nos dias 24 e 25 de
novembro de 1956, o Autódromo de Interlagos recebeu mais de 30 mil
pessoas de diversas partes do Brasil num clima de festa com muito
entusiasmo por parte da torcida, dos patrocinadores, pilotos e
equipes numa prova espetacular.
Às 19 horas do dia
24, lá estavam 31 carros alinhados para largar ao estilo Le Mans. Ao
sinal de partida, todos os pilotos correram, entraram nos carros e
aceleraram forte, buscando melhores posições.
Mil Milhas
Brasileiras 1956
Número de
Voltas: 201
Extenção da Pista: 7.690 metros
Média de Velocidade: 99 Km/h
Quantidade de Pneus: 450
Litros de combustível consumidos: 14.500
Tempo Primeiro Colocado: 16h06’’30’ |
|
Classificação Geral:
1º Lugar
– Catharino Andreatta & Breno Fornari – carretera Ford
2º Lugar – Eugênio Martins & Cristian Heins – VW Porsche
3º Lugar – Aristides Bertuol & Waldir Rebeschini – carretera
Chevrolet |
|
Fonte: Scali, Paulo - INTERLAGOS: Autódromo Internacional da
Cidade de São Paulo (1940 a 1980)
Graziela Fernandes
A Senhora nunca sofreu discriminação por ser uma piloto
mulher?
GF – Muito pelo contrário. Quando se mostra resultados,
você é tratado como profissional, de igual para igual. Comigo sempre foi
assim. Fiz muitos amigos naquela época e com alguns tenho contato até hoje.
Foi uma época muito boa e especial da minha vida.

Como foi que a Senhora começou a correr? Teve apoio da
família?
GF – As corridas sempre foram uma paixão. Alíás, tenho
verdadeira paixão por velocidade. Quando comecei a correr, no final da década
de 60, meus pais já haviam morrido e eu ainda era solteira. Foi uma decisão
minha e resultado de esforço meu. Fui convidada a integrar a equipe Jolly, que
possuía 5 Alfa Romeo e uma Ferrari, pois já era conhecida das pistas. Minha
primeira vez foi em 1966, no Rio de Janeiro, em uma corrida para pilotos
mulheres.
Participou de muitas categorias, corridas?
GF – Participei de todos os tipos de prova:
500 Km,
12 Horas, 6 Horas, Copa Brasil, foram muitas mesmo. Nas Mil Milhas de 70,
consegui a 7ª posição da classificação geral da prova. E olha que eram 64
carros competindo.
E por que parou?
GF – Eu parei porque amava correr na minha equipe e em
1973 os carros importados foram proibidos de participar das competições. A
equipe acabou sendo desmanchada e eu parei. Para mim tinha acabado ali.
E nunca mais voltou para as pistas?
GF – Voltei. Corri duas vezes as
1000 Milhas,
em parceria com meu marido. Nós compramos um Stock Car e participamos das
competições de 84 e 85. Acabamos as provas e conseguimos ser classificados, o
que já é muito bom.
Seu marido também é piloto? Por que pararam?
GF – Não era...mais ficou um piloto muito bom, alem das
Mil Milhas, no ano seguinte participamos do Campeonato de Marcas, ele de VW e
eu de FIAT convidada pela equipe de fabrica, 12 provas disputadas em
diferentes autodromos como SP - Rio de Janeiro- Goiania - Brasilia e outros.
Paramos porque este é um esporte caro, principalmente para quem não tem
patrocínio. E quem tem patrocinador, tem cobranças, é claro. E isso também não
queríamos. Diante desse quadro, resolvemos parar. Mas foram experiências muito
boas.
Hoje a senhora está completamente distante das pistas?
GF – Das competições, sim. Mas da velocidade, não. Sou
piloto de avião e motociclista por paixão. Eu tenho o brevê mais graduado que
pode ser concedido: PLA (piloto de linha aérea). Fui a primeira mulher
brasileira a conquistá-lo e hoje piloto por esporte. Tenho uma moto Kawazaki
Ninja 900 cc, que piloto nos finais de semana. Fora isso, freqüento sempre as
corridas, as pistas. Longe de verdade é impossível.
E essas novas competições são muito diferentes das
realizadas naquela época?
GF – Para falar a verdade, no quesito desempenho dos
carros, acho que não. As nossas Alfas GTA andavam muito bem, não deixam a
desejar a nenhum destes carros de hoje. Agora, as grandes competições, como a
F1, essas sim são diferentes, principalmente no que tange à segurança dos
pilotos. Naquela época, perdemos muita gente boa nas pistas. Hoje, é muito
difícil termos notícias de mortes durante competições importantes.
E como era a vida de um piloto?
GF – Foi uma época maravilhosa. Além da adrenalina, da
emoção, a sensação é de que éramos todos reis e rainhas chegando aos lugares.
Éramos valorizados. Jantares, entrevistas na TV, fotos
em jornais. Foi
muito bom mesmo.
E hoje, como é sua relação com os outros pilotos, com o
público?
GF – Hoje estão sendo realizados eventos para rememorar
aquela época, para homenagear aqueles pilotos e isso é muito bom., uma coisa
maravilhosa. Eu não sei o motivo, mas é tudo muito especial. Temos as corridas
de clássicos e encontros de pilotos desta época. No ano passado, foi no
Automóvel Clube Paulista, sabado passado, realizado pela FPA teve outro grande
encontro, e graças a eventos como estes, pude encontrar pessoas que não via e
com quem não tinha contato há pelo menos 30 anos. Foi emocionante. É
importante mostrar a nossa história e, mais que isso, mostrar como o
automobilismo interferiu no desenvolvimento da indústria automobilística no
Brasil.
Ana Paula Dutra
Gerência de Comunicação e Imprensa
São Paulo Turismo
CELSO LARA BARBERIS
Nascido
à 28 de fevereiro de 1916 em São Manuel, SP, filho de fazendeiros, mudou-se
muito jovem para São Paulo indo morar no Bairro do Jardim América.
Desenvolveu na
capital uma carreira esportiva: aos 14 anos ingressou no Clube de Regatas Tietê
onde praticou natação, posteriormente transferiu-se para Clube Floresta (hoje
Espéria) onde além da natação também praticava remo nas águas do Rio Tietê.
No automobilismo começou em 1949 com 33 anos de idade, pois na época
automobilismo era coisa de “homem feito” e dedicou quase toda sua carreira à
categoria Esporte, categoria que tinha um certo charme europeu, na qual correu
com Ferrari 1500cc, 3000cc. e também de Maserati.
Correu algumas
provas "500Km" com carros de "Mecânica Nacional".
De "Carretera"
participou em cinco edições das "Mil Milhas Brasileiras", além de várias na
categoria Turismo.
Participou de
algumas provas Internacionais do "World Sports Car Championship" em Buenos
Aires, Argentina, em parceria com Godofredo Viana Junior, Eugênio Martins e
Christian "Bino" Heins, tendo inclusive com esse parceiro chegado em 4º lugar,
dividindo uma Maserati 300S.
Sua carreira
durou 14 anos, até ser interrompida por um acidente fatal durante os 500
Quilômetros de Interlagos de 1963, aos 47 anos e 6 meses.
Em sua última prova, utilizava um carro de fórmula fabricado por Toni Bianco em
parceria com Chico Landi e equipado com motor FNM/JK de 2000 cilindradas. Esse
carro quando equipado com motor até 1000cc. "de rua", era um Fórmula Jr. mas com
esse motor foi inscrito como "Mecânica Nacional até 2.500 cc.".
Quem daria a
largada seria Chico, dono do carro, mas a dez minutos da largada resolveram
inverter, tinham muita confiança no carro, então ficaria melhor Chico receber a
bandeirada de chegada.
Na véspera
Edmundo "Dinho" Bonotti acidentou-se nos treinos e faleceu em decorrência dos
ferimentos sofridos, e na prova, o tricampeão dos "500 Km" (57, 60 e 61),
Celso Lara Barberis morreu depois que seu carro capotou na subida da reta
dos boxes após ser tocado pela Maseratti/Corvette de João Batista do Amaral Jr.
O Brasil perdia
um de seus melhores pilotos da época.
Toni Bianco
cortou esse carro em quatro pedaços e o sucateou, mas não deixou de construir
outro por causa do acidente, e sim por não ter havido mais encomendas.
nos de idade, pois na época automobilis
Participou também de algumas provas
Internacionais do "World Sports Car Championship" em Buenos Aires, Argentina, em
parceria com Godofredo Viana ino" Heisse parceiro chegado em 4º lugar,
dividiuita confiança no carro, ficaria melhor Chico receber a bandeirada de
chegada.
 |
 |
 |
 |
|
Preparativos para Mil Milhas de 1959 |
Landi/Bianco/JK |
Vitória nos 500 Km de 1961. Celso abraça Giuseppe Perego e
atrás, de boné, o preparador Nelson Enzo Brizzi." |
Local do acidente
|
Fonte:
Paulo Roberto Peralta www.bandeiraquadriculada.com.br
Velhos tempos – Luiz
Valente e Arlindo Aguiar.
O automobilismo anterior aos
anos sessenta é sempre citado como um período "romântico", cheio de histórias, a
maioria verídicas, outras folclóricas.
Eu diria que o termo
"romântico" se aplica porque quem praticava o automobilismo era por paixão. Tudo
era muito difícil, sem patrocínio, o automobilismo ainda não era visto como um
out-door publicitário, então era tudo na base do: "- Eu te dou um produto meu e
te pago a inscrição, ou um jogo de pneus ou a gasolina, etc.". Tudo era bancado
pelo piloto, a compra, a preparação e a manutenção do carro, tudo feito
artesanalmente, com muita vontade, talento e sacrifício, e muita camaradagem
também. Eram abnegados amadores que mesmo sacrificando a família, orçamento,
amizades, etc. disputavam memoráveis provas, disputando curva a curva, freada a
freada, a vitória.
Luiz Valente foi um desses. Nascido em 16 de outubro de 1910 no bairro da
Consolação, na cidade de São Paulo, começou a correr em 1943 com 33 anos de
idade com um Ford Mercury, na prova “Interventor Fernando Costa”, após essa
prova adotou a categoria “mecânica nacional”, que eram carros de fórmula, os
então chamados “charutinhos”.
Nas pistas conheceu Arlindo
Aguiar. Nascido em Juiz de Fora MG, em 28 de junho de 1916 e que começou a
correr em fins de 1946 já na categoria “mecânica nacional”. Nas pistas eram
rivais leais, e fora delas desenvolveram uma boa amizade, que envolvia as
famílias.
Valente era mecânico na
“Biscoitos Duchen” e Arlindo tinha nessa época uma oficina mecânica em sociedade
com "Pipoca" (Luis França dos Santos), ambos eram seus próprios preparadores.
Quando foi criada a prova “Mil
Milhas Brasileiras” em 1956 nenhum dos dois tinha uma “carretera” para
participar, Arlindo havia parado em 1951 desgostoso com a desorganização que se
implantava no automobilismo e só voltaria a correr em 1957, Valente pegou então
seu carro de passeio, um Ford Coupe 1938 e o “depenou”, equipou com um motor
Ford V8 (8BA) com equipamentos “Edelbrock”, e após a corrida o remontou,
colocando de volta os pára-lamas, capô e acessórios. "...não haviam muitas
corridas, não compensava manter dois carros", dizia ele. Para essa primeira
prova convidou para parceiro Djalma Pessolato, piloto que viria a falecer no ano
seguinte num acidente provocado por um cavalo que cruzou a pista. Chegaram em
15º lugar.
Nos próximos três anos, 1957,
1958 e 1959 sempre que se aproximavam as “Mil Milhas” Valente depenava novamente
seu carro e chamava para parceiro o amigo Arlindo Aguiar. O melhor resultado
conseguido por eles foi um 5º lugar na prova de 1957.
Antonio Carlos Aguiar, filho de
Arlindo, e Luiz Carlos, filho de Valente, seguiram os passos dos pais e se
tornaram pilotos de competição.
Carlinhos correu em todas as
categorias da época, inclusive motos, e foi o vencedor de provas como os
primeiros Mil Quilômetros de Brasília de 1962, correndo em parceria com Antonio
Carlos Avallone, das 12 Horas de Interlagos de 1963 em parceria com Camilo
Christófaro e Décio D’Agostino e novamente em parceria com Camilo as 250 Milhas
de Interlagos, em 1965, corrida que foi realizada em sentido horário, ao
contrário do normal que era o sentido anti-horário.
Luiz Carlos fez uma carreira curta, participou de provas de “carretera”, no “GP
Rogê Ferreira” em 1964 chegou em 2º, atrás de Caetano Damiani e na frente de
Emilio Zambello, “feras” do automobilismo e duas provas com “mecânica nacional”,
tendo chegado em 2º lugar no “Festival Interclubes de 1965.
Fonte:
Paulo Roberto Peralta www.bandeiraquadriculada.com.br
|
|
|
|