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Pista livre para a iniciativa privada
explorar o Autódromo de Interlagos
Prefeitura planeja uma
licitação para pequeno comércio em trechos do autódromo. Idéia é abrir
bancos, postos de gasolina, restaurantes e lanchonetes
A Prefeitura de São
Paulo resolveu conceder à iniciativa privada trechos da área de um milhão
de metros quadrados do Autódromo de Interlagos, na Zona Sul de São Paulo.
A idéia é abrir uma licitação e conceder pequenos espaços dentro do
autódromo — que hoje são subutilizados — para serem explorados
comercialmente com atividades que melhorem a infra-estrutura do local e,
ao mesmo tempo, aumentem a renda do autódromo.
“Queremos trazer
restaurantes, lanchonetes, postos de gasolina e bancos, entre outras
atividades”, afirma Fábio Panciero, gerente comercial do autódromo.
Segundo ele, ainda estão sendo feitos estudos para avaliar quantas e quais
áreas serão concedidas e por quanto tempo. Panciero explica que a intenção
é conceder áreas do entorno da pista de corrida que fazem divisa com a
Avenida Interlagos. “Assim, um restaurante, por exemplo, pode atender o
público do autódromo e o público de fora”, diz ele. A licitação para a
concessão dos espaços deve ser lançada no segundo semestre deste ano.
Rentável
A concessão de áreas
dentro do autódromo é apenas parte de um plano elaborado pelo prefeito
José Serra (PSDB) para tornar o templo do automobilismo brasileiro um
local rentável. Apesar de abrigar um dos maiores eventos internacionais —
o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1— o autódromo sempre deu prejuízo à
Prefeitura.
Até abril deste ano,
Interlagos pertencia à Secretaria Municipal de Esportes. Pela legislação,
uma secretaria não pode gerar renda e, por este motivo, as atividades do
autódromo nunca foram exploradas comercialmente. “O autódromo era cedido
para as confederações e federações por taxas simbólicas, enquanto as
entidades comercializavam os eventos”, diz Panciero.
Em abril, o autódromo
passou a ser administrado pela São Paulo Turismo, justamente para permitir
que o local pudesse obter verba para manutenção e investimento em suas
instalações. “O prefeito quer que Interlagos seja viável financeiramente,
que se mantenha com verba própria, sem dinheiro público”, afirma o
gerente.
Segundo Caio Luiz de
Carvalho, presidente da São Paulo Turismo, o autódromo deu prejuízo de R$
4,5 milhões aos cofres da administração municipal no ano passado. Foram R$
5,2 milhões em despesas e apenas R$ 724 mil de receitas. A previsão, para
este ano, também é de prejuízo. A São Paulo Turismo estima gastar R$ 4,3
milhões no local e arrecadar R$ 690 mil, o que resulta num déficit
estimado de R$ 3,6 milhões.
Publicidade
Para reverter este
quadro, Panciero diz que, além dos tradicionais eventos automobilísticos,
pretende alugar os prédios do local para outros tipos de eventos. A
administração deve passar também a vender os espaços publicitários
(outdoors e placas) existentes dentro do autódromo.
Outra medida que será
tomada é o aumento dos preços de locação das pistas (de corrida e de
Kart), dos treinos profissionais e da utilização dos boxes. “Para os
eventos já programados, o preço será o mesmo. Para os novos eventos, serão
cobrados novos preços.”
Pelos preços atuais, um
piloto de automóvel, de qualquer classe ou categoria, paga R$ 41,65 por
carro para treinar por um período de quatro horas, o que equivale a R$
10,41 por hora. “Os preços são muito baixos em relação ao custo que temos
com o autódromo”, diz Carvalho.
Fonte: Diário de São
Paulo
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