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SP abriga corrida de carros ecológicos e sonha com fim da poluição

Fabiana Parajara, O Globo Online, SPTV

SÃO PAULO - Na cidade em que a frota de mais de 6 milhões de veículos é a maior responsável pela poluição, acontece nesta sexta e sábado uma corrida com carros considerados 'ecológicos', que poluem pouco ou quase nada. A disputa será no kartódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo, e uma parte dos veículos é movida a eletricidade. Haverá também modelos movidos a gasolina, que devem percorrer a maior distância possível usando apenas um litro do combustível. O mesmo critério vale para os carros elétricos.

- O recorde é de 2006, quando um dos carros percorreu, 600 quilômetros com um litro de gasolina. A meta deste ano é superar essa marca - conta Alberto Andriolo, organizador do evento, que está sua quinta edição. Entre os carros elétricos, que entram na disputa no ano passado, o recorde é de 24 quilômetros com uma bateria de moto.

Os carros são baratos, leves - um dos concorrentes pesa apenas 25 quilos -, não poluem ou então poluem muito pouco. São também um verdadeiro sonho de economia para os motoristas. Os movidos a gasolina podem ser 30 vezes mais econômicos do que um carro comum. Mas em questão de conforto, eles ainda deixam a desejar.

- Ele não é tão confortável assim, mas você se sente bem seguro. Mesmo um pouco apertado, dá uma segurança boa - diz uma motorista.

As engenhocas foram construídas por estudantes de todo o país em três meses. Nesta quinta-feira, ocorrem os treinos livres. Depois, as equipes fazem os ajustes finais e as provas oficiais ocorrem nesta sexta e sábado. Os ganhadores levam para os laboratórios da universidade protótipos de veículos fornecidos pela montadora que patrocina o evento. O campeão ganha um modelo de luxo, o segundo lugar um carro popular e o terceiro, três motores. O vencedor também terá a chance de conhecer concorrentes de outros países.

- Hoje, quatro países no mundo realizam essas provas, Brasil, França, Estados Unidos e Inglaterra - afirma Andriolo, que conheceu o modelo na França e trouxe para o Brasil em 2004.

- Na primeira edição, só duas faculdades participaram da disputa. Com as premiações dadas às universidades, queremos incentivar um número cada vez maior de estudantes a participar - diz.

Neste ano, 29 universidades participam da corrida. Competem 15 veículos movidos a gasolina e 14 a energia elétrica.

Equipes estão acampadas no Autódromo

A maioria dos estudantes, que têm entre 18 e 21 anos, está acampada ao lado da pista principal de Interlagos. Todos os concorrentes cursam engenharia elétrica ou mecânica. Uma das regras para a construção dos carros é usar materiais reciclados, como plástico, ou considerados ecologicamente corretos, como o bambu. Também podem ser utilizados fibra de carbono e alumínio.

Os veículos são construídos sob a supervisão de um professor. Cada estudante fica responsável por uma parte do veículo. As mulheres, que são minoria entre os participantes, dão uma contribuição essencial: pilotar os carros.

- Normalmente são as meninas que dirigem, porque o motorista tem que ser pequeno - explica um estudante.

- A gente não pode nem dar palpite no carro. Tem que ficar quietinha o tempo todo - diz a estudante que vai dirigir o carro da equipe de Minas Gerais.

Apesar de ter uma aparência futurista, todos os carrinhos despertam o interesse das grandes montadoras.

- Os carros são o prenúncio das tecnologias emergentes. Nós sabemos que o ar está cada vez mais pesado, poluído e os alunos já fazem essas propostas para estimular o uso de energia limpa - afirma Leoni Fragassi, professor responsável por um dos projetos.

Pesquisas realizadas pelo com Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, divulgadas nesta semana, mostram que as emissões veiculares colhidas em túneis da cidade de São Paulo são as maiores responsáveis pelo excesso de ozônio registrado na Região Metropolitana de São Paulo. Esse poluente causa ou agrava doenças respiratórias e alérgicas como rinite, otite, amidalite, sinusite bronquite e pneumonia. Há estudos que comprovam que a região metropolitana gasta cerca de R$ 1,5 bilhão com saúde, por causa de problemas causados pela poluição.

Serviço

A Maratona de Eficiência Energética acontece no Kartódromo de Interlagos, na Avenida Senador Teotônio Vilela, 261, em Interlagos. As provas ocorrem até sábado, sempre a partir da 8h. O evento é aberto ao público e a entrada, gratuita. O telefone do Autódromo de Interlagos é 0 xx 11 5666 8822.

 

Fabiana Parajara, O Globo Online, SPTV

SÃO PAULO - Na cidade em que a frota de mais de 6 milhões de veículos é a maior responsável pela poluição, acontece nesta sexta e sábado uma corrida com carros considerados 'ecológicos', que poluem pouco ou quase nada. A disputa será no kartódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo, e uma parte dos veículos é movida a eletricidade. Haverá também modelos movidos a gasolina, que devem percorrer a maior distância possível usando apenas um litro do combustível. O mesmo critério vale para os carros elétricos.

- O recorde é de 2006, quando um dos carros percorreu, 600 quilômetros com um litro de gasolina. A meta deste ano é superar essa marca - conta Alberto Andriolo, organizador do evento, que está sua quinta edição. Entre os carros elétricos, que entram na disputa no ano passado, o recorde é de 24 quilômetros com uma bateria de moto.

Os carros são baratos, leves - um dos concorrentes pesa apenas 25 quilos -, não poluem ou então poluem muito pouco. São também um verdadeiro sonho de economia para os motoristas. Os movidos a gasolina podem ser 30 vezes mais econômicos do que um carro comum. Mas em questão de conforto, eles ainda deixam a desejar.

- Ele não é tão confortável assim, mas você se sente bem seguro. Mesmo um pouco apertado, dá uma segurança boa - diz uma motorista.

As engenhocas foram construídas por estudantes de todo o país em três meses. Nesta quinta-feira, ocorrem os treinos livres. Depois, as equipes fazem os ajustes finais e as provas oficiais ocorrem nesta sexta e sábado. Os ganhadores levam para os laboratórios da universidade protótipos de veículos fornecidos pela montadora que patrocina o evento. O campeão ganha um modelo de luxo, o segundo lugar um carro popular e o terceiro, três motores. O vencedor também terá a chance de conhecer concorrentes de outros países.

- Hoje, quatro países no mundo realizam essas provas, Brasil, França, Estados Unidos e Inglaterra - afirma Andriolo, que conheceu o modelo na França e trouxe para o Brasil em 2004.

- Na primeira edição, só duas faculdades participaram da disputa. Com as premiações dadas às universidades, queremos incentivar um número cada vez maior de estudantes a participar - diz.

Neste ano, 29 universidades participam da corrida. Competem 15 veículos movidos a gasolina e 14 a energia elétrica.

Equipes estão acampadas no Autódromo

A maioria dos estudantes, que têm entre 18 e 21 anos, está acampada ao lado da pista principal de Interlagos. Todos os concorrentes cursam engenharia elétrica ou mecânica. Uma das regras para a construção dos carros é usar materiais reciclados, como plástico, ou considerados ecologicamente corretos, como o bambu. Também podem ser utilizados fibra de carbono e alumínio.

Os veículos são construídos sob a supervisão de um professor. Cada estudante fica responsável por uma parte do veículo. As mulheres, que são minoria entre os participantes, dão uma contribuição essencial: pilotar os carros.

- Normalmente são as meninas que dirigem, porque o motorista tem que ser pequeno - explica um estudante.

- A gente não pode nem dar palpite no carro. Tem que ficar quietinha o tempo todo - diz a estudante que vai dirigir o carro da equipe de Minas Gerais.

Apesar de ter uma aparência futurista, todos os carrinhos despertam o interesse das grandes montadoras.

- Os carros são o prenúncio das tecnologias emergentes. Nós sabemos que o ar está cada vez mais pesado, poluído e os alunos já fazem essas propostas para estimular o uso de energia limpa - afirma Leoni Fragassi, professor responsável por um dos projetos.

Pesquisas realizadas pelo com Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, divulgadas nesta semana, mostram que as emissões veiculares colhidas em túneis da cidade de São Paulo são as maiores responsáveis pelo excesso de ozônio registrado na Região Metropolitana de São Paulo. Esse poluente causa ou agrava doenças respiratórias e alérgicas como rinite, otite, amidalite, sinusite bronquite e pneumonia. Há estudos que comprovam que a região metropolitana gasta cerca de R$ 1,5 bilhão com saúde, por causa de problemas causados pela poluição.

Serviço

A Maratona de Eficiência Energética acontece no Kartódromo de Interlagos, na Avenida Senador Teotônio Vilela, 261, em Interlagos. As provas ocorrem até sábado, sempre a partir da 8h. O evento é aberto ao público e a entrada, gratuita. O telefone do Autódromo de Interlagos é 0 xx 11 5666 8822.